Jorge passou por mais de 50 países, mas não conseguiu não escolher o Brasil como destino final.
Gosta do povo, de suas cores, de suas praias. E ao meio daquela escadaria esquecida e suja em Santa Teresa, ele decide iniciar o seu trabalho.
De pedaço em pedaço, azulejos quebrados vindos dos mais diversos lugares, cada um com a sua história para colorir e criar o requinte que faltava naquele lugar.
Para os visitantes, talvez sejam apenas azulejos quebrados e coloridos, mas para o artista, cada pincelada de sua obra tem um significado.
Jorge conheceu Lucíola em 1950, no Rio de Janeiro. Mais precisamente no bairro da Lapa, enquanto ela dançava ao som de Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro. De nada adiantou pintar quadros, viajar e tentar esquecer esse amor bendito que o consome até hoje, sem entender porque a doença a levou, e não ele. Doença maldita que matou seu amor, sua morena e seu filhinho, ainda no ventre.
Decidido então em continuar de pé e a semear este amor, fixa residência em Santa Teresa, trazendo de cada país em que pensou em Lucíola um pedaço de cor, um pedaço de carinho. E sua obra começa, degrau a degrau, sem se importar com o cansaço e com os calos.
Jorge se preocupa inclusive em renovar este amor, trocando alguns azulejos de lugar com outros. Tal como se mexesse em suas melhores memórias, trazendo à tona a saudade do seu amor, mas uma saudade saudável porque a maturidade não o tornou uma pessoa dura e doentia.
Quando questionado sobre a predominância do vermelho na escadaria, nas suas roupas e inclusive na sua bicicleta, ele diz: “Ora, vermelho é a cor do amor. E também a cor do batom que ela usava quando eu a conheci. Ah, se ela soubesse”.

(Texto fictício criado por mim em cima da biografia de Jorge Selarón e inspirado na fotografia de Livia Lima - http://www.flickr.com/photos/liviaslima/)